Todos que conhecem a saga do personagem nos quadrinhos sabem que se excetuando algumas fases (como as lideradas por Walt Simonson e Jack Kirby), o herói nunca foi sinônimo de muita qualidade. O fato de ser um Deus não ajuda em sua identificação direta com o público. Sua adaptação para a linguagem cinematográfica consegue contornar pequenas falhas, porém resulta em um saldo final mediano.
Chris Hemsworth consegue humanizar o Deus do Trovão, provando ter sido uma excelente escolha para o projeto. Já Natalie Portman (Jane Foster) e Stellan Skarsgård (Selvig) participam do núcleo mais fraco da trama, onde toda a fragilidade do roteiro se expõe. Kat Denning´s (Darcy) é o alívio cômico mais desleixado dos últimos anos! Sempre que o trio está presente é garantia de queda brusca no ritmo. A impressão que se tem é que os personagens foram criados exclusivamente como “peças no tabuleiro”, sem nenhum aprofundamento. O núcleo de Asgard, liderado por Anthony Hopkins (Odin) e Tom Hiddleston (Loki) se mostra tão preguiçoso quanto! Em certos momentos me senti assistindo “Mestres do Universo” (1987) na Sessão da Tarde. Asgard é um deslumbre técnico inegável, mas o problema está no roteiro, que não foge do caricatural e das convenções. Personagens carismáticos, mas que desfilam pela tela sem personalidade.
Existem momentos em que os fãs irão vibrar (a batalha contra o “Destruidor” é muito empolgante) e algumas tiradas cômicas interessantes, mas no geral a produção deixa a desejar. Acredito que o problema começa já em seu conceito. A Marvel quer criar um universo cinematográfico em que seus personagens possuam a mesma interação que nos quadrinhos. Louvável idéia, porém de execução apressada. Nem mesmo a firme direção de Kenneth Branagh consegue esconder a forte imposição do estúdio em visar prioritariamente o filme dos “Vingadores”. O mesmo erro que foi cometido em “O Incrível Hulk” e no segundo “Homem de Ferro” se repete em “Thor”. Na ânsia de coligar tramas e subtramas, se esquecem do principal: o roteiro! O filme tem que funcionar sozinho, mesmo sendo parte de um plano maior e mais ambicioso.
Esquecendo a visão crítica e analisando como fã de quadrinhos, a obra satisfaz e é fiel ao espírito do personagem. As cenas de ação são as melhores que a Marvel já produziu no cinema! Diversão garantida!
