Ozon nos entrega pequenas homenagens ao longo da projeção. Todos os que se apaixonaram por Catherine Deneuve no clássico “Os Guarda-Chuvas do Amor” de 1964, irão adorar o cenário em que a atriz se encontra nesta produção. A eterna “Bela da Tarde” vive Suzanne Pujol, uma peça de enfeite (potiche) em uma relação desgastada, acostumada a não constar na lista de prioridades do marido (Robert, vivido por Fabrice Luchine), um homem desprezível e mulherengo, odiado por seus funcionários e ignorado por seus filhos. O cenário (final da década de setenta) é retratado de forma farsesca, garantindo um tom quente e colorido nas cenas de Deneuve, contrastando com os tons frios dos momentos em que Fabrice participa.
Greve de funcionários e a ascenção do movimento feminista eram o cenário comum da época na França, porém o diretor não força a mão no viés político, deixando claro se tratar de uma típica comédia farsesca. Sua origem teatral compromete em certos momentos, tornando alguns diálogos e cenas um tanto quanto forçados, mas nada que comprometa o resultado final. Vale destacar a presença carismática do sempre ótimo Gérard Depardieu (Maurice Babin), como um deputado que esconde um valoroso segredo. Sua química com Deneuve é um prazer aos olhos, simbolizada pela fantástica cena de dança em uma típica discoteca da época.
